O Hotel Victor situava-se no antigo largo com o mesmo nome, hoje Largo Ferreira de Castro, com residências particulares nos números 3, 4 e 5 atuais em Sintra. Este Hotel foi fundado por Carlos Victor Sassetti, um dos quatro filhos de Victor Domingos Sassetti (1779-1849) e de Dona Anna Violante (1781-1849) “italianos” radicados em Sintra no início do século XIX.

Carlos Sassetti (1815-1858), pai de Victor Sassetti comprou o prédio a Manuel Bernardes e fundou o famoso Hotel Victor, por onde passaram figuras muito ilustres da literatura portuguesa entre os quais, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e onde Alberto Pimentel – escritor e jornalista portuense – escreveu o livro Noites de Sintra, publicado em 1892.

O Hotel Victor era naquela época um dos mais frequentados por turistas ingleses, que dali partiam em passeio para a subida da serra até ao Castelo dos Mouros, admirando a beleza de todos os cantos e encantos da paisagem.

Este Hotel histórico sintrense foi uma das estâncias prediletas na época de veraneio, pois era também uma espécie de “Casino” particular, que fazia atrair para o jogo, alguns turistas mais endinheirados. Do largo do Hotel fazia-se a partida das famosas “burricadas”, as pitorescas corridas de burros que encantava a sociedade aristocrática e mais elegante de Lisboa, que vinha até Sintra.

O Hotel Victor esteve em pleno funcionamento desde 1850 até à década de 1890, altura em que a costa de Cascais e Estoril se tornou a vanguarda da moda, especialmente na época estival de cada ano.

Na Sintra do grande romancista Eça de Queirós, o Hotel Victor é o terceiro dos hotéis citados na sua obra que, juntamente com os hotéis Lawrence’s e Nunes formavam o triângulo de todo o centro urbano de Sintra, onde se desencadeavam, numa teia dominadora, os mais variados episódios amorosos, que o escritor relata. O hotel foi eternizado na obra literária de Eça de Queirós em Os Maias como um lugar notável, merecendo lugar de destaque nas páginas dos jornais regionais daquela época.

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