A Igreja Paroquial de São Martinho de Sintra é uma circunscrição administrativa eclesiástica secular, fundada em 1147-1154, pelo Rei D. Afonso Henriques, na sequência da reconquista territorial cristã ao domínio militar islâmico, recebendo estatutos em 1283 e aprovados em 1306, confinando, até ao século XX, com as homólogas de São Miguel do Arrabalde, Santa Maria do Arrabalde, São João das Lampas, São João Degolado da Terrugem e Nossa Senhora da Assunção de Colares.

Durante o século XII, o primeiro monarca português, D. Afonso Henriques, empenhou-se no reconhecimento do reino de Portugal que, após várias décadas de lutas, estava em franco crescimento. Uma das entidades que deveria reconhecer e credibilizar o seu novo Reino era a Igreja Católica Apostólica de Roma. Algumas medidas foram tomadas para conseguir esse objetivo, entre elas, a construção de templos cristãos e a declaração de vassalagem à Santa Sé.

Como em cima dissemos, a fundação do templo votivo a são Martinho existente na vila de Sintra terá acontecido no período próximo da fundação do Reino de Portugal. São poucos os documentos que chegaram até aos nossos dias; contudo, é possível traçar um percurso histórico do templo, ainda que com algumas falhas. Logo no ano de 1241, a igreja é cedida ao cabido da Sé, o que originou uma sucessão de desentendimentos entre os priores das quatro paróquias sintrenses nos séculos seguintes. Porém, só em 1283, a igreja de São Martinho recebe os seus estatutos, atestando assim a sua fundação, que só viriam a ser aprovados em 1306.

No ano seguinte, já se registavam enterramentos na igreja, como o provam as lápides epigrafadas encontradas no local. A localização deste templo, muito próximo do paço real da vila, e por conseguinte, do seu centro social, foi dos que mais beneficiou após a trágica epidemia de peste que assolou o reino no ano de 1348. Muitos dos que não resistiram à peste bubónica legaram os seus bens a esta igreja.

O edifício da igreja foi alterado especialmente no primeiro quartel do séc. XVI e reconstruído em 1755-1773, mantendo hoje a traça setecentista pombalina e apresentando uma frontaria austera e provida de galilé.

D. Manuel I, no final do século XV e início do século XVI, na sequência da sua política de campanha de recuperação e consolidação do património existente no reino, patrocinou uma campanha de obras na igreja. Até ao século XVIII, o templo terá permanecido sem grandes alterações, contudo, o trágico episódio do dia 1 de Novembro de 1755 deixou marcas profundas na freguesia de São Martinho, e, particularmente, na igreja paroquial. A cobertura do templo cedeu causando sérios danos no interior. A partir de 1764, é contratado o arquiteto Mateus Vicente de Oliveira para reconstruir a igreja. As obras patrocinadas pela Casa Real tiveram certamente o aval do Ministro do Reino e Marquês de Pombal paço dos Ribafrias e pouco estaria interessado em ver uma ruína quase paredes meias com o seu palácio. Em 1773, as obras de recuperação, consolidação e restauro ainda decorriam e a nova silhueta da igreja integrava-se perfeitamente no estilo arquitetónico pombalino, típico do século XVIII, apresentando uma frontaria austera, tardo-setecentista e provida de galilé.

No interior, as paredes estão integralmente pintadas com uma técnica que imita o marmoreado, enquadrando elementos arquitetónicos ficcionais com elementos fitomórficos, bíblicos, como é o caso do Agnus Dei nas janelas, entre outros. O chão lajeado ainda conserva algumas sepulturas epigrafadas que, em alguns casos, não se encontram no local original onde foram inumados primeiramente os corpos a que pertencem. O púlpito em mármore, com uma cobertura de talha dourada, apresenta na parte cimeira uma janela em trompe l’oeil, uma ilusão muito bem conseguida. O arco triunfal que precede o altar-mor é ladeado por duas magníficas pinturas alusivas à paixão de Cristo. O altar barroco, em talha dourada, apresenta a imagem de Cristo crucificado e é ladeado por nichos com as representações escultóricas de São Martinho e do Sagrado Coração de Jesus.

Algumas das obras pictóricas existentes nesta igreja foram executadas em meados do século XVI por Diogo de Contreiras, que chegou a ter morada na Vila de Sintra e, possivelmente, integrariam retábulos nos altares laterais.

A Paróquia era encabeçada por um Presbítero como Prior, apresentado pelo Cardeal Patriarca de Lisboa e auferindo 300$000, com mais cinco Beneficiados auferindo cada um 120$000, em 1758, sendo os Cónegos diocesanos seus fabriqueiros e auferindo 5/6 dos seus rendimentos. Sendo a sede da Real Colegiada de São Martinho, deteve patrimonialmente as Ermidas de São Romão do Lourel e de São Mamede de Janas, recebendo o templo matriz campanhas de obras de beneficiação no reinado de D. Manuel I e logo após o terramoto de 1755 e até 1773.

Mais tarde, segundo o recenseamento paroquial de 1758, compunha-se de 309 fogos ou vizinhos com 1183 habitantes, distribuídos pelas localidades de Ribeira, Cabriz, Várzea de Cima, Várzea de Baixo, Carrascal, Morelinho, Nafarros, Luzio, Zibreira, Janas, Galamares, Casalinho, Casal da Granja de Cima, Granja de Baixo, Meiranás, Torre, Condado e quintas.

Posteriormente, em 1838, encontravam-se recenseados 356 fogos ou vizinhos com 1800 habitantes, distribuídos pelas localidades de Ribeira, Cabriz, Várzea de Cima, Meiraner, Mata do Paço, As Granjas, Várzea de Baixo, Figueirinha, Carrascal, Morelinho, Janas, Zibreira, Nafarros, Galamares, e Quintas do Casalinho, da Piedade e da Penha Verde.

Ir para o topo